A aldeia de
Palmeirinha do Iguaçu realizou nos dias 21 e 22 de outubro a cerimônia do
Batismo de Ervas. De acordo com as lideranças da comunidade, esta é a primeira
de quatro cerimônias que se realizam durante o ano. São cerimônias de
agradecimento, purificação e benção.
Esta
primeira chamada de Batismo de Ervas acontece na primavera, tem como principal
planta a erva-mate, que é colhida e sapecada pelos homens e moída e socada
pelas mulheres. São dois dias de atividades e durante o segundo dia é realizado
o batismo das crianças que ainda não receberam o nome guarani. A segunda
cerimônia é realizada na colheita do milho, geralmente em janeiro; tem o milho
e o mel como alimentos para o agradecimento à boa colheita. A terceira, das
frutas, acontece quando da colheita da 'banana de mico'. E para encerrar o
ciclo, realiza-se novamente a cerimônia com a erva mate.
A convite da
comunidade a equipe da Outro Olhar pode acompanhar e registrar toda a
atividade, desde o preparo até a cerimônia final, agradecemos a confiança da
comunidade.
Na manhã do dia 21 os homens das famílias saíram para colher e
sapecar a erva, algumas famílias buscaram a erva mate no mato, outras colheram
os ramos de árvores próximas as suas casas, a tarefa envolveu as diferentes
gerações dos ‘xondaros’ (homens) das famílias. Após a colheita e a sapeca, os
feixes são deixados do lado de fora da casa de reza até o meio dia, quando o
sol está ‘no meio do céu’. Neste momento inicia a cerimônia de purificação das
ervas, que é feita apenas pelos xondaros, orientados pelo xamoi. A cerimônia
reinicia ao entardecer com a dança do xondaro e a entrada na casa de reza,
neste momento por toda a comunidade, que passa a noite entre cantos, danças e
histórias.
Na manhã do
dia 22 foi a vez das mulheres, elas recolhem os maços de erva da casa de reza,
sapecam mais um pouco as folhas até ficarem quebradiças, desfolham os feixes
dentro de um cesto e levam para o pilão. A erva mate é socada até ficar bem
fininha. Enquanto a erva mate é socada por um grupo de mulheres, outro grupo
prepara os ‘purungos’. Depois, a erva mate e os purungos são levados até a casa
de reza e lá permanecem até ao meio dia, quando ocorre a cerimônia envolvendo
as mulheres que, uma a uma, pegam os purungos e enchem com a erva mate, recebem
a benção do xamoi e depositam no altar.
Na sequência
o xamoi faz o batismo das crianças, soprando várias vezes sobre sua cabeça a
fumaça sagrada do petenguá e revelando o nome guarani da criança. A comunidade
toda participa dessa cerimônia, desde os mais velhos até as crianças.
Acompanhar a
cerimônia do batismo de ervas foi uma experiência ímpar, que palavras não
conseguem traduzir. O que podemos dizer, é que manter vivo o modo de ser a
partir das cerimônias da cultura Guarani, é sem dúvida, manter vivo o coração e
a força deste povo.
A comunidade
de Palmeirinha do Iguaçu é um exemplo da preservação cultural, parabéns à
comunidade!
Por Equipe Outro Olhar
Outubro 2011
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