Oindio: cultura e oportunidade na rede teve suas ações concentradas em duas linhas, sendo a primeira a consolidação do portal Oindio e a segunda focada no incentivo à expressão cultural Guarani. Desta forma o projeto apoiou a manutenção de dois núcleos de comunicação nas aldeias Limeira – SC e Añetete – PR, atividades culturais e artísticas, construção de roteiros e gravação de vídeos e documentários e oficinas para construção de peças de teatais, além de promover a I Mostra de Cultura e Arte Guarani.

Tuesday, May 14, 2013

Palmeirinha do Iguaçu realiza o Batismo de Ervas


A aldeia de Palmeirinha do Iguaçu realizou nos dias 21 e 22 de outubro a cerimônia do Batismo de Ervas. De acordo com as lideranças da comunidade, esta é a primeira de quatro cerimônias que se realizam durante o ano. São cerimônias de agradecimento, purificação e benção.


Esta primeira chamada de Batismo de Ervas acontece na primavera, tem como principal planta a erva-mate, que é colhida e sapecada pelos homens e moída e socada pelas mulheres. São dois dias de atividades e durante o segundo dia é realizado o batismo das crianças que ainda não receberam o nome guarani. A segunda cerimônia é realizada na colheita do milho, geralmente em janeiro; tem o milho e o mel como alimentos para o agradecimento à boa colheita. A terceira, das frutas, acontece quando da colheita da 'banana de mico'. E para encerrar o ciclo, realiza-se novamente a cerimônia com a erva mate.
A convite da comunidade a equipe da Outro Olhar pode acompanhar e registrar toda a atividade, desde o preparo até a cerimônia final, agradecemos a confiança da comunidade.
Na manhã do dia 21 os homens das famílias saíram para colher e sapecar a erva, algumas famílias buscaram a erva mate no mato, outras colheram os ramos de árvores próximas as suas casas, a tarefa envolveu as diferentes gerações dos ‘xondaros’ (homens) das famílias. Após a colheita e a sapeca, os feixes são deixados do lado de fora da casa de reza até o meio dia, quando o sol está ‘no meio do céu’. Neste momento inicia a cerimônia de purificação das ervas, que é feita apenas pelos xondaros, orientados pelo xamoi. A cerimônia reinicia ao entardecer com a dança do xondaro e a entrada na casa de reza, neste momento por toda a comunidade, que passa a noite entre cantos, danças e histórias.
Na manhã do dia 22 foi a vez das mulheres, elas recolhem os maços de erva da casa de reza, sapecam mais um pouco as folhas até ficarem quebradiças, desfolham os feixes dentro de um cesto e levam para o pilão. A erva mate é socada até ficar bem fininha. Enquanto a erva mate é socada por um grupo de mulheres, outro grupo prepara os ‘purungos’. Depois, a erva mate e os purungos são levados até a casa de reza e lá permanecem até ao meio dia, quando ocorre a cerimônia envolvendo as mulheres que, uma a uma, pegam os purungos e enchem com a erva mate, recebem a benção do xamoi e depositam no altar.
Na sequência o xamoi faz o batismo das crianças, soprando várias vezes sobre sua cabeça a fumaça sagrada do petenguá e revelando o nome guarani da criança. A comunidade toda participa dessa cerimônia, desde os mais velhos até as crianças.
Acompanhar a cerimônia do batismo de ervas foi uma experiência ímpar, que palavras não conseguem traduzir. O que podemos dizer, é que manter vivo o modo de ser a partir das cerimônias da cultura Guarani, é sem dúvida, manter vivo o coração e a força deste povo.
A comunidade de Palmeirinha do Iguaçu é um exemplo da preservação cultural, parabéns à comunidade!


Por Equipe Outro Olhar

Outubro 2011


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